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Otávio Munis Pai
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Leia a carta do São Paulo Futebol Clube sobre Otávio Munis

Testemunha fiel da grande catástrofe do Brasil de 50, trabalhando no estádio do Maracanã como repórter chave da equipe comandada por Pedro Luis. No fim da tarde daquele 16 de julho de 1950 Otávio chorou desconsolado, amargurado pela derrota brasileira diante do Uruguai, mas não perdeu o senso profissional, relatando aos milhares de ouvintes os descompassos de um cenário triste.Click e ouça a naração

Meu pai sempre foi meu ídolo. Eu sempre tive orgulho de dizer para as pessoas que conhecia que era filho do Munis, aquele da Rádio Panamericana, aquele Corintiano doente, que colocava o Sport Club Corinthians Paulista dentro de suas prioridades máximas na vida. Como era gostoso, no meu tempo de garoto, andar com ele pelas ruas do centro velho de São Paulo e ver que ele era reconhecido por todos que acompanhavam o futebol, corintianos ou não. Só mais tarde fui entender a importância exata que ele tinha nos meios esportivos, pois estou falando do final dos anos 50, início dos anos 60, onde a imagem do Munis era divulgada apenas nas páginas da Gazeta Esportiva Ilustrada...
Ah, se naquele tempo êle tivesse a mídia dos dias atuais, que estrago faria!
Como ser humano, o Munis foi uma daquelas preciosidades que se encontra raramente. Homem bom, puro, de bons princípios, bom pai, bom marido e acima de tudo um otimista. O Munis nunca perdia a esperança. Sempre acreditava que conseguiria resolver as suas paradas mais complicadas, que ao longo de sua vida não foram poucas.

O Munis, que no seio familiar era carinhosamente chamado de Leandrão (aumentativo de seu nome de batismo) era aquele cara com quem você podia contar. Sabe aquela hora de sufoco em que você precisa de um amigo? O cara era o Munis. Morreu pobre, mas para mim, seu primogênito, deixou um grande legado. O Munis me ensinou que na vida, aconteça o que acontecer, devemos preservar a dignidade, os bons princípios e principalmente a honestidade, o que exaustivamente procuro seguir.

Hoje, aos 51 anos de idade, 17 sem o Munis, sinto muitas saudades dele. Entretanto, suas palavras não calam no íntimo do meu ser e me dão a certeza de que sua ausência é meramente no plano físico, pois, seu espírito continua vivo e assim será por toda a eternidade.
Munis, onde você estiver, receba de mim um beijo no seu coração.

"Torcida corintiana, cordialmente boa noite! São 18 horas e 30 minutos em São Paulo. Estamos iniciando pela Rádio Panamericana de São Paulo, a emissora dos esportes, o programa "Corinthians em Marcha". Foi exatamente assim, durante longos anos, que o velho Otávio Munis se apresentou a Fiel, em um espaço todo seu. Ele falava com carinho sobre as atividades do clube do Parque São Jorge, que tanto amou. Dava vida aos fatos dessa população agremiação, com o mesmo empenho exercido como funciorário e assessor de imprensa, do Corinthians.

Ouça algumas coberturas feitas por Otavio Munis para a
Rádio Panamericana




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