Meu
pai sempre foi meu ídolo. Eu sempre tive orgulho de dizer
para as pessoas que conhecia que era filho do Munis, aquele da
Rádio
Panamericana, aquele Corintiano doente, que colocava o Sport Club
Corinthians Paulista dentro de suas prioridades máximas
na vida. Como era gostoso, no meu tempo de garoto, andar com
ele pelas ruas do centro velho de São
Paulo e ver que ele era reconhecido por todos que acompanhavam o
futebol, corintianos ou não. Só mais tarde fui
entender a importância
exata que ele tinha nos meios esportivos, pois estou falando do final
dos anos 50, início
dos anos 60, onde a imagem do Munis era divulgada apenas nas páginas
da Gazeta Esportiva Ilustrada...
Ah, se
naquele tempo êle tivesse a mídia dos dias atuais,
que estrago faria!
Como
ser humano, o Munis foi uma daquelas preciosidades que se encontra raramente.
Homem bom, puro, de bons princípios, bom pai, bom
marido e acima de tudo um otimista. O Munis nunca perdia a esperança.
Sempre acreditava que conseguiria resolver as suas paradas mais complicadas,
que ao longo de sua vida não foram poucas.
O Munis, que no seio familiar era carinhosamente chamado de Leandrão
(aumentativo de seu nome de batismo) era aquele cara com quem você podia
contar. Sabe aquela hora de sufoco em que você precisa de um
amigo? O cara era o Munis. Morreu pobre, mas para mim, seu primogênito,
deixou um grande legado. O Munis me ensinou que na vida, aconteça
o que acontecer, devemos preservar a dignidade, os bons princípios
e principalmente a honestidade, o que exaustivamente procuro seguir.
Hoje, aos 51 anos de idade, 17 sem o Munis, sinto muitas saudades
dele. Entretanto, suas palavras não calam no íntimo
do meu ser e me dão a certeza de que sua ausência é meramente
no plano físico,
pois, seu espírito continua vivo e assim será por toda
a eternidade.
Munis,
onde você estiver, receba de mim
um beijo no seu coração.
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